quarta-feira, 27 de dezembro de 2017

Tem desperdício em Desenvolvimento de Software?

Introdução

Estima-se que 2/3 de alimentos são jogados fora todos os anos no mundo inteiro. Isso equivale a 1,3 bilhões de toneladas de produtos que não serão utilizados por nenhum ser humano. Para alarmar ainda mais, isso equivale à 1 trilhão de dólares jogados no lixo anualmente.[1]

Quando citamos estes números, estamos falando em números absolutos focando estritamente nos alimentos, mas existem outros desperdícios durante toda a cadeia de produção destes alimentos. E a água que foi utilizada? A energia elétrica? Os adubos? Tudo isso torna-se desperdiçado também, haja vista que o propósito para a qual foram utilizados, não serviu para ninguém.

O desperdício mencionado no exemplo dos alimentos, pode muito bem ser aplicado também ao desenvolvimento de software, pois quando entregamos software que não será utilizado em 100%, gastamos tempo de funcionários, infra estrutura, esforço, e principalmente o dinheiro do cliente. Enquanto o desperdício de alimento gera revolta, o desperdício em desenvolvimento de software gera prejuízo.

Símbolo do Desperdício


Frederick Winslow Taylor, em 1911 escreveu que "No passado, o homem estava em primeiro lugar; no futuro, o sistema terá primazia".[2] Em seu escrito, o que Taylor está dizendo, é que construiríamos ferramentas poderosas que aumentariam exponencialmente nosso poder de produção. Hoje existe uma grande facilidade de se criar software, as ferramentas cada vez mais robustas, permitem que se construa um sistema com uma velocidade extraordinária, comparada à poucos anos atrás, dá-se a isso o nome de Eficiência.

Mas onde estão os desperdícios na construção de Software?

Como definir o que realmente é desperdício no desenvolvimento de Software? Baseado nos 7 desperdícios dentro do conceitos Lean de Produção, Mary e Tom Poppendieck desdobraram isso para Desenvolvimento de Software.[3]

Vejamos quais são:

Trabalho Inacabado

O problema do trabalho parcialmente feito é um dos grandes problemas dentro do desenvolvimento de software. Frases como "já está pronto, só falta testar" exemplificam muito isso. Alguns exemplos de trabalho inacabado podem ser: documentações não codificadas, código não 'mergeado' no repositório master, código não testado, sistema não instalado;

Funcionalidades Extras

É o famoso gold plating, ou seja, é desenvolver funcionalidades não requeridas pelo cliente como forma de agradá-lo, colocando uma "cerejinha no bolo". Este é o pior dos desperdícios, onde Taiichi Ohno chama de superprodução, ou seja, é criar estoque que não será "imediatamente" necessário.

Reaprendizagem

Há dois níveis de desperdício dentro deste tópico que são: 1) esquecer o que foi aprendido no passado e ter que reaprender; 2) ignorar conhecimento de outras pessoas não envolvidas no processo de desenvolvimento. Resumidamente, é perder o controle do conhecimento gerado/absorvido.

Transferências de Controle (handoffs)

Esse é um problema que raramente será eliminado, mas pode ser mitigado. Isso porque a comunicação do conhecimento tácito, aquele adquirido pela experiência, sempre resulta em perda de conhecimento. Estima-se que 50% do conhecimento tácito fica para trás na primeira transferência de controle.

Troca de tarefas

É o famoso dividir o foco em mais de uma atividade. É cientificamente comprovado, segundo Vítor Massari em Gerenciamento Ágil de Projetos, que 40% do esforço é desperdiçado quando um desenvolvedor alterna de uma tarefa para outra. Existe um consumo de energia no cérebro para que o desenvolvedor se desligue de uma tarefa e inicie uma outra.

Atrasos

O software implementado e testado precisa ser homologado pelo cliente ou designados por ele, mas eles não tem tempo disponível para homologar: desperdício. Aguardar pela disponibilidade de pessoas de outras áreas é uma das grandes causas de desperdício gerando o famoso "atraso".

Defeitos

Este desperdício gera um sentimento negativo diante do cliente: falta de credibilidade. Construir um software cheio de bugs é terrível, porque além de gerar uma sensação de desconfiança, gera custo de qualidade e gasta tempo de desenvolvedores.

Como resolver a questão dos desperdícios?

Os métodos ágeis possuem muitos profissionais experientes, mas que muitas vezes tropeçam em uma armadilha que é corriqueira demais: focar em ferramentas e técnicas e não na resolução de problemas e eliminação de desperdícios. O desenvolvimento de software, deveria abarcar tanto o foco no método ágil, otimizando o processo de construção, quanto na melhora do fluxo inteiro de valor.

Estima-se que apenas 20% dos recursos e funcionalidades em software são utilizados com regularidade e que 50% dos recursos de um software (utilizados ou não) nao agregam valor ao negócio.[4]

Os desenvolvedores, segundo pesquisa feita pela Carnegie Mellon com 13.000 programas, cometem entre 100 e 150 erros em cada mil linhas de código, comprometendo assim a qualidade do produto, demandando 80% do orçamento para correção destes erros.

Em suma, uma boa metodologia de desenvolvimento de software inicia-se com uma premissa simplória: identificar 20% do código que proporcionam 80% de valor e executá-los dentro do tempo de forma puxada ao invés de empurrada e sempre envolver o cliente na definição dos requisitos e testes.[4]

De forma sintética, usando o contraponto mencionado no início deste post, quando falamos que crescemos em Eficiência, deixo uma frase do famoso Peter Drucker e logo em seguida abordaremos os métodos resolutivos para cada tipo de desperdício demonstrado até aqui:
Sem dúvida, não há nada tão inútil quanto fazer com grande eficiência o que não devia ser feito de modo algum[2]
Drucker está confrontando aqui Eficiência versus Eficácia. Isso é assunto para um outro post.

Métodos resolutivos


Desperdício Resolução
Trabalho Inacabado - Uma boa definição de pronto (done);
- Dividindo o trabalho em pequenos lotes ou iterações;
Funcionalidades Extras - Se não houver uma necessidade econômica, a funcionalidade não deve ser implementada;
- Entregue somente o que o cliente pediu (concentre-se no trabalho dele);
- Entregue VALOR e QUALIDADE
Reaprendizagem - Registre tudo o que você sabe;
- Anote todas as decisões tomadas
Transferências de Controle - Reduza o número de transferências;
- Faça transferências face a face ao invés de documental (mas mantenha o documento);
- Faça transferências através de modelos, protótipos e simulações
Troca de Tarefas - Comece a terminar e pare de começar;
- O time que construir, deverá manter;
Atrasos - Todos envolvidos devem estar completamente disponíveis a qualquer hora;
- Conhecimento compartilhado evita silos;
- Iterações curtas com feedbacks frequentes;
Defeitos - Testes automatizados, antecipados e frequentes;
- TDD (prática do XP)

Espero ter contribuído. Até mais!


Referências

1. https://www.embrapa.br/busca-de-noticias/-/noticia/28827919/os-desperdicios-por-tras-do-alimento-que-vai-para-o-lixo (27/12/2017);
2. Startup Enxuta. Ries, Eric
3. Implementando o Desenvolvimento Lean de Software. Poppendieck, Mary; Poppendieck, Tom
4. TI Lean, capacitanto e sustentado sua transformação Lean. Bell, Steven.

terça-feira, 12 de dezembro de 2017

Por que alguns gestores ainda agem como chefes?

É um tema polêmico, mas que precisa ser abordado de alguma forma. Neste post eu pretendo demonstrar um dos motivos, pelas quais, alguns gestores ainda insistem em manter sua postura tradicional de gestão.

Peter Drucker, um professor e consultor administrativo, considerado o pai da administração moderna, certa vez disse:
Trabalhadores do conhecimento não podem ser subordinados de gerentes, mas gerentes ainda agem como se fossem superiores a outras pessoas.

Gestão tradicional vs. Gestão Ágil

Ainda há, mesmo em meio à uma transformação digital ocorrendo em massa, gestores que mantêm a visão e a coordenação no modelo da pirâmide hierárquica. São gestores que subordinam pessoas ao comando-controle. Preciso, antes de continuar, ser honesto quanto à esta gestão tradicional. Em ambiente caótico, ele é mais assertivo do que a abordagem ágil, mas somente neste contexto, e em nenhum outro mais.

Voltemos ao tema.

Mas a gestão ágil requer extinção de gestores e das hierarquias? Não, de forma alguma. O que necessariamente deve mudar é a forma de se fazer a gestão. No modelo tradicional, as pessoas são executoras de tarefas sob o comando dos gestores. No entanto, no modelo ágil, os gestores não deveriam ser "comandantes" mas sim facilitadores, motivadores e treinadores, deveriam exercer liderança em detrimento de uma postura de chefia.
  piramide

Jeff Sutherland no Blog Openview [12/12/2017] explica:
A principal diretiva de um gerente não deveria ser gerenciar, deveria ser facilitar e ajudar, motivar e guiar os outros, ao redor de uma visão (tradução livre)

Mais empoderamento=Menos controle

Mas por que é que gestores, mesmo diante de um cenário de grandes mudanças, ainda insistem em se manter como "chefes" nas organizações?

Para responder esta pergunta, vou contar uma história:

Estava eu vendo uma entrevista na TV, cujo entrevistado era um especialista em segurança pública, e um dos assuntos abordados era: armar ou desarmar a população? Dentro desta discussão, muitas variáveis foram levantadas, entre elas: aumento e diminuição da violência, aumentar ou diminuir a burocracia para aquisição de uma arma de fogo, etc... Mas uma variável discutida me chamou a atenção; foi quando o apresentador do programa fez o seguinte questionamento:
A qual tipo de governante mais interessa desarmar a sua população?
O especialista respondeu enfaticamente:
Aquele que gosta de controle!
Ele explicou que, uma população desarmada, é uma população refém de seus governantes. Os dirigentes da nação conseguem fazer o que quiser com as pessoas que sentem-se inseguras.

Respondendo então o questionamento principal deste post:

Empoderar um time, dando-lhe poder de se auto-organizar e autonomia para tomar certas decisões, tira o conforto do "chefe" de estar sobre o comando daquela equipe. Gestores que gostam de controle, em meio à toda esta transformação digital, vão tentar camuflar a síndrome da chefia com uma roupagem de agilidade, mas na essência continuarão "comandando".

Agora vamos para a resposta da pergunta do post "porque gestores ainda insistem em se manter 'chefes'?" é que:
quando gestores empoderam as pessoas e as equipes, o seu controle sobre elas é ameaçado.
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Sugestão de Leitura:

Precisamos de Gerentes e Hierarquia em um ambiente Ágil? https://www.infoq.com/br/news/2014/09/managers-hierarchy-agile

Agilidade e Humildade: um casamento necessário



Uma história conta sobre um garoto que foi considerado o mais humilde do mundo, recebendo, portanto, uma bela medalha de honra ao mérito. No outro dia, fez questão de passear pela cidade onde morava ostentando orgulhosamente a medalha recebida, e por consequência, perdeu a medalha e a honra.

A humildade pode ser substituída pelo orgulho se o coração não estiver focado na missão mas em si mesmo.

Em tempos recentes, o ágil vem tomando conta da maioria das pautas nas organizações e seus protagonistas surgem como "super heróis" capazes de responder à todos os anseios destas companhias. É claro que ninguém tem resposta pra tudo! Seria muita pretensão.

Diante deste cenário, alguns destes protagonistas perdem o foco, trocando o propósito pelo narcisismo[1].

Vale ressaltar, que no meio em que vivemos, "ninguém é melhor que ninguém", as pessoas e seus perfis se completam.

Estes "heróis" passam a sofrer de uma "superioridade ilusória", conceito estabelecido por Justin Kruger e David Dunning [2] e que deu nome à um fenômeno chamado "efeito Dunning-Kruger".

Os que sofrem com este efeito, são pessoas que acreditam que sabem mais do que outros, não reconhecendo suas próprias inabilidades e incompetências. Estes dois estudiosos chegaram a conclusão de que "a ignorância gera confiança com mais frequência do que o conhecimento".
Humildade

Dunning e Kruger fizeram uma analogia, comparando estes que sofrem de superioridade ilusória como quem possui Anosognosia (é um estado neurológico caracterizado pela incapacidade de uma pessoa estar consciente da sua própria doença) cotidiana.
se você é incompetente, você não consegue saber que é incompetente
Dunning e Kruger propuseram que, em relação a uma determinada habilidade, as pessoas incompetentes irão:
  • falhar em reconhecer sua própria falta de habilidade;
  • falhar em reconhecer as habilidades genuínas em outras pessoas;
  • falhar em reconhecer a extensão de sua própria incompetência;
  • reconhecer e admitir sua própria falta de habilidade, depois que forem treinados para aquela habilidade.
Diante deste cenário, nós que somos protagonistas de uma evolução, precisamos também reconhecer que a humildade precisa crescer junto com tudo isso. Vale o velho ditado: "Quanto mais aprendo, descubro que mais preciso aprender".


[1] https://pt.wikipedia.org/wiki/Narcisismo
[2] https://pt.wikipedia.org/wiki/Efeito_Dunning-Kruger

O que realmente significa fomentar?

Por vezes, no meio ágil (não só neste meio, mas este é onde estamos contextualizados), ouvimos que é necessário que se fomente aquela atitude, aquele processo ou aquele pensamento. É um termo que, genericamente, faz parte dos "jargões ágeis" para mudança de mindset[1].

É comum ouvirmos frases como "vamos fomentar um fluxo contínuo", ou ainda "você precisa fomentar o pensamento enxuto", ou ainda "é necessário fomentar a agilidade", entre outras frases, onde esta palavra se encontra. Mas qual é realmente o significa do termo fomentar e qual a sua abrangência?

O termo remonta à sua origem do latim fomentare, que tem o significado original a aplicação de cataplasmas sobre ferimentos na pele, através de compressas de calor. Os cataplasmas são medicamentos, do tipo pomadas, tendo como base a junção de vários ingredientes diferentes. Através de fricções destas pomadas na pele, a pele machucada é provocada a se regenerar, curando-se das suas feridas. Já em nosso vernáculo, o termo adquiriu alguns outros significados:
  1. Incentivar;
  2. Provocar;
  3. Estimular;
  4. Apoiar;
  5. Criar;

Incentivar

As pessoas não fazem as coisas bem feitas, a não ser que se interessem por aquilo que estão fazendo. Incentivar é despertar o interesse. Por vezes somos pressionados a fazer algo, mas não raras vezes estamos alienados do "por que" estamos fazendo. Trazer as pessoas para dentro do contexto, elas farão com mais afinco aquilo que lhes são demandadas;

Provocar

As pessoas constantemente precisam ser desafiadas. Provocar é isso, é "incitar" respostas e reações das pessoas através dos desafios. É extrair o que elas tem de melhor, utilizando o desconforto e instigando o não conformismo.

Estimular

Quando a bateria de um carro descarrega, temos algumas opções: trocar, fazer uma ligação em paralelo com outra bateria (vulgarmente chamado de chupeta) ou fazer pegar no tranco. Trocar é complicado, porque para isso o carro precisa ser levado à loja, fazer "chupeta" carece do cabo e outro carro disponível, pegar no tranco é empurrar até uma velocidade mínima possível e a partir daí o carro religa, a bateria é recarregada e tudo está resolvido. Estimular é isso, impulsionar até "pegar no tranco";

Apoiar

Diz um ditado que "chegar lá é fácil, quero ver é se manter", incentivar, provocar e estimular ajuda as pessoas a "chegar lá", o apoio é que ajuda a "se manter". É sustentar o que está consolidado através de fundamentos e proteção;

Criar

A imaginação é um dos bens mais poderosos que o ser humano possui. Aqui, o criar é fruto desta imaginação. É gerar um processo criativo como melhoria em algo que existe ou para a criação de algo inexistente.
fomentar

Fomentar



Voltando à origem da palavra, entendemos que as 5 dimensões do "jargão" fomentar, visa a "cura", "melhora" de algo que está evidente (ferida na pele) através de processos cuidadosos e mecânicas  aderentes.

 Bora fomentar o time?

[1] Sugiro a leitura do livro "Mindset, a nova psicologia do sucesso"

Como o Agile Coach evoluir na jornada

A quantidade de profissionais que atuam na função de Agile Coach têm crescido exponencialmente, mas aquele que veste este chapéu, nem sempre sabe quais deveriam ser suas habilidades e domínios para que possa evoluir como profissional e trazer a mesma evolução para o time na qual atua durante a sua jornada.

O que é o Agile Coach (AC)?

As necessidades de negócio mudam constantemente de forma acelerada, ou seja, o que era essencial ontem pode se tornar obsoleto hoje. Devido à esta problemática evidente, sentiu-se a carência de uma mudança na forma de entregar produtos sistêmicos para atender à este negócio oscilante. Uma mudança de pensamento e métodos que fossem ao mesmo tempo flexível, adaptável e incremental seriam a solução. Esta pode ser uma definição de Agile (ágil).

Um time pode ser formado por jogadores extremamente habilidosos, verdadeiras estrelas em campo, mas se eles não tiverem um treinador, ou seja, quem os treine através de mentoria, técnicas e metodologias com o intuito de os fazerem evoluir tanto pessoal quanto profissionalmente, se tornariam em apenas uma constelação sem brilho. O Coach é um dos que podem ajudar a fazer o time brilhar.

Portanto, o Agile Coach, como agente de mudanças, é a pessoa com a função de conduzir uma equipe, através de pensamentos, conhecimentos, técnicas e processos, a alcançar sua alta performance, auto-organização e autonomia para que entregue cada vez mais rápido produtos sistêmicos, porém, sem perca de qualidade, de maneira flexível, adaptável e incremental.

Qual o universo de atuação do AC?

O AC atua, de forma macro, sobre quatro dimensões:
  1. Dimensão Organização: foco em gestão, governança e propósitos;
  2. Dimensão Equipe: foco em colaboração, multidisciplinaridade e gestão de conflitos;
  3. Dimensão Individual: foco em motivação, disciplina e direção;
  4. Dimensão Ego: foco em conhecimento, compartilhamento e atitude

Estrutura de Competências de um Agile Coach

Há de se perceber que o Agile Coach é uma pessoa que precisa estar devidamente preparado, tendo em sua "caixa de ferramentas" (Henrique Imbertti, meu tutor), quantas ferramentas forem possíveis.

Diante disso, a pergunta que fica é: quais são as competências que um Agile Coach precisa ter? Pensando nisso, Lyssa Adkins e Michael Spayd, desenvolveram um Framework de Competências de um Agile Coach (vide imagem abaixo). Analisaremos cada um deles, propondo materiais de enriquecimento metodológico, cultural e conceitual.

Vejamos cada uma das competências do Framework. Se percebermos com um pouco mais de atenção, através de uma visão macro, nós temos o framework dividido em quatro grandes competências:
  1. Base de Práticas: Praticante Agile-Lean;
  2. Base de Instrução: Ensinador e Mentor;
  3. Base de Condução: Coaching e Facilitador;
  4. Base de Domínios: Técnico, Negócio e Transformação
Isso pode ser bem entendido na figura abaixo e detalhado na sequência:As 4 Macro Competências de um Agile Coach

As 4 Macro Competências de um Agile Coach

EXPLORANDO AS MACRO COMPETÊNCIAS

PRÁTICA

PRATICANTE AGILE + LEAN

Pensamento: Vivendo e aplicando os valores e princípios ágeis e lean;
Visão Geral: Habilidade para aprender e compreender as estruturas ágeis e princípios Lean com objetivo de aplicá-los adequadamente e gerar inovação;
Conhecimento:
- Manifesto Ágil (http://www.manifestoagil.com.br/)
- Princípios Lean (https://www.lean.org/WhatsLean/Principles.cfm)
- Princípios Lean (http://www.leanti.com.br/conceitos/3/o-que-e-lean-ti.aspx)
- Succeeding With Agile (Mike Cohn): https://pt.slideshare.net/mikecohn/succeeding-with-agile-22870069
- The road from Project Manager to Agile Coach [parte 1], Lyssa Adkins (https://www.youtube.com/watch?v=TvYqhYEaqMs)
- The road from Project Manager to Agile Coach [parte 2], Lyssa Adkins (https://www.youtube.com/watch?v=L9tSjpqeBa4)
- Scrum e XP direto das trincheiras, Henrik Kniberg (https://www.infoq.com/br/minibooks/scrum-xp-from-the-trenches)
- Kanban e Scrum - obtendo o melhor de ambos, Henrik Kniberg (https://www.infoq.com/br/minibooks/kanban-scrum-minibook)
- Kanban: Mudança Evolucionária de Sucesso Para Seu Negócio de Tecnologia, David Anderson (https://www.amazon.com.br/Kanban-Mudanca-Evolucionaria-Sucesso-Tecnologia/dp/0984521461)
Atitude: Compartilhe os valores e princípios no que fala, no que faz, no que é

INSTRUÇÃO

ENSINADOR

Pensamento: Instruindo os outros em habilidades específicas de conhecimento e perspectiva;
Visão Geral: Capacidade de oferecer o conhecimento certo, no momento certo, ensinado da maneira correta, para que indivíduos, equipes e organizações metabolizem o conhecimento para seu melhor benefício;
Conhecimento:
- Training From the Back of the Room, Sharon L. Bowman (https://www.amazon.com/Training-Back-Room-Aside-Learn/dp/0787996629)
- Coaching Agile Teams, Lyssa Adkins (https://www.amazon.com/Coaching-Agile-Teams-ScrumMasters-Addison-Wesley/dp/0321637704)
- O Monge e o Executivo, James Hunter (https://www.amazon.com.br/Monge-Executivo-James-C-Hunter/dp/8575421026)
- Liderar é influenciar, John Maxwell (https://www.amazon.com.br/Liderar-É-Influenciar-Stormie-Omartian/dp/8578601831)
- O Lider 360, John Maxwell (https://www.amazon.com.br/Líder-360º-John-C-Maxwell/dp/8566997247)
Atitude: Aprenda, Ensine, Aprenda, Ensine

MENTOR

Pensamento: Compartilhando conhecimentos, habilidades e perspectivas, que promovam o crescimento pessoal e profissional de outra pessoa;
Visão Geral: Capacidade de transmitir sua experiência, conhecimento e orientação para ajudar a cultivar outra pessoa no mesmo domínio de conhecimento ou similar;
Conhecimento:
- Agile Coaching, Rachel Davies (https://www.amazon.com/Agile-Coaching-Rachel-Davies/dp/1934356433)
- Teamwork Is an Individual Skill, Christopher M. Avery (https://www.amazon.com/dp/1576751554)
- O Monge e o Executivo, James Hunter (https://www.amazon.com.br/Monge-Executivo-James-C-Hunter/dp/8575421026)
- Todos se Comunicam, Poucos se Conectam, John Maxwell (https://www.amazon.com.br/Todos-Se-Comunicam-Poucos-Conectam/dp/8566997271)
Atitude: Aprenda, Ensine, Compartilhe

CONDUÇÃO

COACHING

Pensamento: Fazendo uma parceria com os clientes em um processo criativo que inspire o seu potencial pessoal e profissional;
Visão Geral: Capacidade para atuar como treinador, no interesse do cliente afim de determinar a direção, em vez da experiência ou opinião do treinador;
Conhecimento:
- Conversas Cruciais, Kerry Paterson (https://www.amazon.com.br/Conversas-Cruciais-Habilidades-Altos-Interesses/dp/8593585000/)
- Coaching Coativo, Henry Kinsey (https://www.amazon.com.br/Coaching-coativo-Henry-Kimsey-House-ebook/dp/B00WX8R0MS/)
- Coaching da Criatividade, Flavia Lippi (https://www.amazon.com/Coaching-Criatividade-Em-Portuguese-Brasil/dp/8563536745)
- A Arte De Fazer Perguntas Em Coaching, Tony Stoltzfus (http://elshaddai.com.br/livro/arte-de-fazer-perguntas-em-coaching/)
- Coaching Agile Teams, Lyssa Adkins (https://www.amazon.com/Coaching-Agile-Teams-ScrumMasters-Addison-Wesley/dp/0321637704)
- Treinamento em Leader Coaching (http://iccoaching.com.br/inscricoes/leader-coaching/)
- Treinamento em Leader Coaching (http://www.ibccoaching.com.br/nossos-cursos/leader-coach-training-lct/)
- Arc of the coaching conversation (https://luis-goncalves.com/arc-coaching-conversation/)
- O gestor eficaz (https://www.amazon.com.br/Gestor-Eficaz-revista-atualizada-ampliada-ebook/dp/B073DM4HR2/)
- Sete hábitos de pessoas altamente eficazes (https://www.amazon.com.br/Hábitos-das-Pessoas-Altamente-Eficazes-ebook/dp/B01FE910QY)
- O gerente - minuto (https://www.amazon.com.br/dp/8501021792)
- O novo gerente - Minuto (https://www.amazon.com.br/Novo-Gerente-minuto-Ken-Blanchard/dp/8568905005)
- O pensamento que faz a diferença, John Maxwell (https://www.amazon.com.br/Pensamento-Que-Faz-Diferenca-Recomendacoes/dp/853521254X)
Atitude: Saber ouvir, para poder conduzir

FACILITADOR

Pensamento: Facilitando processos para conduzir a tomadas de decisão, mantendo sempre o propósito;
Visão Geral: Capacidade para prestar suporte processual neutro que oriente grupos através de dinâmicas/métodos que os ajudem a encontrar soluções e tomar decisões;
Conhecimento:
- Learning 3.0, como os profissionais criativos aprendem, Yoris Linhares (https://www.amazon.com/Learning-3-0-profissionais-criativos-Portuguese-ebook/dp/B074G1B9JZ)
- Agile Retrospectives: Making good teams great, Esther Derby (https://www.amazon.com/Agile-Retrospectives-Making-Pragmatic-Programmers-ebook/dp/B00B03SRJW)
- Retrospectivas Ágeis: um ritual valioso, mas mal-compreendido (https://www.infoq.com/br/articles/retrospectivas-ageis)
- Facilitator's Guide to Participatory Decision-Making, Sam Kaner (https://www.amazon.com/Facilitators-Participatory-Decision-Making-Jossey-Bass-Management/dp/1118404955)
- Gamestorming. Jogos Corporativos Para Mudar, Dave Gray (https://www.amazon.com/Gamestorming-Jogos-Corporativos-Portuguese-Brasil/dp/8576086093)
- Growing Agile - A Coach's Guide to Facilitation, Samantha Laing (https://www.amazon.com.br/Growing-Agile-Coachs-Facilitation-English-ebook/dp/B01BHXOU5O)
- Perfil do Facilitador, Annelise Gripp (http://www.annelisegripp.com.br/facilitador-qual-o-seu-perfil-dentro-da-agilidade/)
- 17 Principios do Trabalho em equipe, John Maxwell (https://www.amazon.com.br/Princípios-Trabalho-Equipe-John-Maxwell/dp/8566997387)
Atitude: Facilite ativamente, mas com neutralidade

DOMÍNIO

TÉCNICO

Pensamento: Conhecimentos técnicos como desenvolvedor de software;
Visão Geral: Habilidade de práticas técnicas, com foco na evolução do desenvolvimento técnico tanto pelo exemplo quanto pelo ensino;
Conhecimento:
- Entrega Contínua, Jez Humble (https://www.amazon.com.br/Entrega-Contínua-Entregar-Software-Confiável-ebook/dp/B016LFWKG4)
- TDD - Desenvolvimento Guiado a Testes, Kent Beck (https://www.amazon.com.br/TDD-Desenvolvimento-Guiado-por-Testes/dp/857780724X)
- Padrões de Implementação, Kent Beck (https://www.amazon.com.br/Padrões-Implementação-Kent-Beck/dp/8565837971/)
- Código Limpo, Robert martin (https://www.amazon.com.br/Código-Limpo-Habilidades-Práticas-Software/dp/8576082675)
- The Nature of Software Development (https://www.amazon.com/Nature-Software-Development-Simple-Valuable/dp/1941222374/)
- XP (Programação Extrema), Kent Beck (https://www.amazon.com.br/Programação-Extrema-Explicada-Kent-Beck/dp/8536303875)
- Startup Enxuta, Eric Ries (https://www.amazon.com.br/Startup-Enxuta-Eric-Ries-ebook/dp/B00A3C4GAK)
Atitude: Domine para Evoluir

NEGÓCIO

Pensamento: Especialista em desenvolvimento de negócios, inovação e desenvolvimento de produtos;
Visão Geral: Capacidade de aplicar estratégias de negócio e estrutura de gerenciamento para empregar ágil como uma vantagem comercial competitiva;
Conhecimento:
- Startup Enxuta, Eric Ries (https://www.amazon.com.br/Startup-Enxuta-Eric-Ries-ebook/dp/B00A3C4GAK)
- Por que? Motivar pessoas e equipes, Simon Sinek (https://www.amazon.com.br/Como-Grandes-Líderes-Inspiram-Ação/dp/8502180290)
- Fluxo de Pensamento (https://www.infoq.com/br/news/2014/06/fluxo-pensamento)
- The Principles of Product Development Flow, Don Reinertsen (https://www.amazon.com.br/Principles-Product-Development-Flow-Generation-ebook/dp/B007TKU0O0)
- Gerenciando para o Aprendizado, John Shook (http://www.leanshop.com.br/produto/36/Gerenciando-para-o-Aprendizado.aspx)
- Gestão de Produtos com Scrum, Roman Pichler (https://www.amazon.com.br/Gest%C3%A3o-Produtos-Scrum-Roman-Pichler/dp/8535248072)
- Prioriziting your Product Backlog, Mike Cohn (http://www.mountaingoatsoftware.com/presentations/prioritizing-your-product-backlog)
- Dave´s Lean and Agile (http://davidfrico.com/)
Atitude: Domine para Inovar

TRANSFORMAÇÃO

Pensamento: Experiência como desenvolvimento organizacional e catalisador de mudanças;
Visão Geral: Habilidade para facilitar, catalisar e, se possível e apropriado, conduzir a mudança e a transformação organizacional. Esta área baseia-se na gestão de mudanças, cultura organizacional, desenvolvimento organizacional, pensamento sistêmico e outras ciências comportamentais;
Conhecimento:
- Drive - A verdade sobre o que nos motiva, Daniel Pink (https://www.amazon.com/Drive-Portuguese-Daniel-H-Pink/dp/9892339703)
- Gestão Radical, Stephen Denning (https://www.infoq.com/br/articles/denning-radical-management)
- Gestão 3.0 - A Crise Das Organizações, Carlos Nepomuceno (https://www.saraiva.com.br/gestao-30-a-crise-das-organizacoes-5122267.html)
- Inteligência Emocional, Daniel Goleman (https://www.amazon.com.br/Inteligência-Emocional-Daniel-Goleman/dp/8573020806)
- Management 3.0 - Ebook, Roberto Brasileiro (http://www.metodoagil.com/management-30-ebook/)
- Management 3.0, Jurgen Appelo (https://www.amazon.com.br/Management-3-0-Developers-Developing-Addison-Wesley-ebook/dp/B004ISL6JY)
- Como Mudar o Mundo: gestão de mudança 3.0, Jurgen Appelo (https://www.amazon.com.br/Como-Mudar-Mundo-Gestão-Mudanças-ebook/dp/B00AL690H2)
- Uma alternativa à reengenharia, Willian Schneider (https://www.amazon.com.br/Uma-Alternativa-Reengenharia-William-Schneider/dp/8501043990)
- Talento para a vida - Descubra e desenvolva seus pontos fortes, Jorge Matos (https://www.amazon.com.br/Talento-para-vida-descubra-desenvolva-ebook/dp/B00EAXHBDM)
- Mais rápido e melhor - Os segredos da produtividade na vida e nos negócios, Charles Duhigg (https://www.amazon.com.br/Mais-rápido-melhor-segredos-produtividade-ebook/dp/B01DCNJ1CY)
- Agilidade na Liderança, Bill Josephs, (https://www.amazon.com.br/Agilidade-Na-Lideranca-Mestria-Antecipar/dp/8532524621)
- Vencendo com as pessoas, John Maxwell (https://www.amazon.com.br/Vencendo-com-Pessoas-John-Maxwell/dp/856699728X)
Atitude: Domine para Transformar Ao entendermos melhor sobre cada item do framework, podemos resumir o mesmo em três frentes que abarcam todo a competência de um agile coach:
  1. Capacidade: saber que é capaz de alcançar os objetivos, através de aquisição de conhecimento e experimentar na prática;
  2. Prática: unir a capacidade aos princípios ágeis e lean, aplicando-os na prática, produzirá a terceira camada, que é a da habilidade;
  3. Habilidade: maestria na condução, instrução e práticas
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Daniel C. Moreira
Sou um apaixonado por leituras. Desde 2000 trabalhando com tecnologia, posso me considerar um "fanático" por resolver problemas da melhor maneira possível e idealizar soluções que atendam ao negócio. Atuo atualmente como Agile Coach, mas já foi Professor, Instrutor, Programador, Desenvolvedor, Analista de Sistemas, Líder Técnico, Analista de Negócio, Gerente de Projetos, além de na vida pessoal atuar como Pastor Evangélico desde 2013. Esta trajetória me beneficiou com uma larga experiência e possibilidade de colaborar com quem precisar!
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